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Na série PROMOB-e Entrevista, jornalista Giovanna Riato fala sobre diversidade no setor automotivo

Quinta conversa da série PROMOB-e Entrevista traz editora do portal Automotive Business
Crédito: Arquivo pessoal
Crédito: Arquivo pessoal

Em julho, na série PROMOB-e Entrevista, batemos um papo com a jornalista Giovanna Riato, pós-graduada em Economia e com experiência na cobertura de negócios, empresas e, principalmente, do setor automotivo. Atualmente, Giovanna é editora de Inovação do portal Automotive Business e colíder da Rede AB Diversidade, projeto que visa ampliar a diversidade nas empresas automotivas. Confira:

Como surgiu o interesse pelo setor automotivo e como começou sua carreira?

Na verdade, foi depois do jornalismo, eu já tinha me formado e sempre gostei do tema de indústria. Até então, me parecia difícil de traduzir e longe do dia a dia, mas que tinha muita história para contar. Tive a oportunidade de cobrir mais do ponto de vista de negócios, e então comecei a cobrir a indústria automotiva.  

De onde surgiu a ideia para criar a Rede AB Diversidade? Quando a iniciativa começou?  

A Rede começou neste ano, 2019, mas ela vem de um processo anterior. Eu cubro indústria automotiva e, mais recentemente, do ponto de vista de inovação, como atender a nova mobilidade e o novo consumidor. Ao longo do tempo, entrevistei incontáveis homens e talvez dez mulheres. Como referência do setor, há pouquíssimas mulheres. Em 2017, eu e a Paula [Braga, diretora executiva da Automotive Business] começamos a pensar muito nessa desigualdade e fizemos uma sondagem com o setor sobre quantas mulheres existiam nele. Recebemos muitos retornos falando que a indústria era machista.  

Resolvemos promover uma pesquisa formal, técnica, em parceria com a MHD Consultoria [Consulte aqui a pesquisa]. Descobrimos que a presença feminina no setor é ainda muito pequena, só 17% da força de trabalho, e concentrada no chão de fábrica. Na liderança, da diretoria para cima, só 6%. Apesar da decisão de consumo ser em sua maioria feminina, não é a mulher pensando nessa indústria — e ela ganha até 34% a menos no mesmo cargo. Para inovar, é preciso ter diversidade, e no momento não havia. Neste ano, pensamos em discutir soluções e a Rede é um caminho para discutir boas práticas com as 30 empresas automotivas participantes e o apoio da ONU Mulheres. Discutimos diversidade como um todo: racial, LGBT, de idade, de vários pontos de vista possíveis.  

Quais ações vocês implementam na Rede?  

Neste ano, vamos fazer uma nova pesquisa sobre diversidade no setor automotivo, e vamos ampliar para outros indicadores além da presença feminina. Fizemos um mapeamento, no fim do ano passado, sobre perfil de liderança, e não há ninguém que se declare negro, dentre as mais de 600 lideranças da indústria que entrevistamos. Ao longo do ano, queremos apresentar uma cartilha de boas práticas de diversidade na indústria automotiva, vamos construir a partir desses indicadores o que uma empresa deve fazer para aumentar a diversidade. Defendemos que diversidade é uma questão de negócio: a empresa que quer se manter relevante no futuro, na nova mobilidade, precisa ter uma representação da sociedade — se a sociedade é diversa, a empresa também precisa ser.  

Atualmente, em relação à diversidade, como você vê o setor?  

Quando a gente pensa em mobilidade e inovação no setor, o foco é extremo em desenvolvimento tecnológico. E hoje, o que a gente percebe é que nem sempre é a tecnologia que motiva a inovação, como a Uber, por exemplo, em que o mais importante foi inverter a lógica, assim como os patinetes. Em relação à diversidade, fico feliz de ver a procura para entrar na Rede, temos uma resposta rápida, existe um movimento e existe uma responsabilidade das grandes empresas que vão precisar puxar essa mobilização. Essas grandes empresas e as lideranças precisam assumir um protagonismo nesse momento, assumir a diversidade como a alma da empresa assim como a inovação para a nova mobilidade. Não podemos esperar quem vai criar a solução, senão a indústria automotiva vai ficar para trás.  

Para você, como a diversidade pode auxiliar a mobilidade no Brasil?  

Há um estudo [da agência de publicidade J. Walter Thompson, de 2018] que aponta que os homens sozinhos são responsáveis por só 3% das decisões de compra, o resto a mulher influencia ou decide. Por outro lado, temos a ascensão dos lares sustentados por mulheres, e todo um contexto social em que os grupos minorizados estão disputando espaço e exigindo reconhecimento. Quando falamos em pessoas negras, negócios voltados para as necessidades desse público têm virado um nicho que agora só as grandes corporações estão percebendo. Além da nova mobilidade, temos o novo consumidor, que agora deseja se sentir representado. A indústria automotiva ficou de olhos fechados e acho que, com o avanço de novos concorrentes, startups que nasceram como plataforma de mobilidade, a pressão aumenta, é mais concorrência e o consumidor é diferente. Uma empresa só vai ser capaz de atender às novas demandas se estiver atenta para ter representatividade genuína e construir respostas diversas.  

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