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Cicloativista Renata Falzoni conversa sobre bicicletas elétricas, na terceira edição do PROMOB-e Entrevista

Renata Falzoni é idealizadora do portal Bike é Legal, um dos principais sites sobre ciclismo do Brasil
Crédito: Vitoria Souza
Crédito: Vitoria Souza

Dando continuidade à série de entrevistas que o PROMOB-e está fazendo sobre mobilidade elétrica, convidamos a cicloativista e videorreporter Renata Falzoni, para falar sobre o tema.

Renata Falzoni é arquiteta, jornalista, biker, videorreporter e uma das principais cicloativistas do Brasil. Ciclista desde criança, ela utiliza a bicicleta como meio de transporte desde 1976 e já pedalou por 28 países diferentes. Além disso, participou da fundação do Night Bikers Club, em São Paulo, primeiro grupo de ciclistas noturnos do Brasil, que influenciou outras iniciativas similares ao redor do país.

Falzoni também militou pelo reconhecimento da bicicleta como veículo no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) – até 1998 a bicicleta não era considerada um veículo pelo CTB. Nessa época, ela pedalou durante 17 dias de Paraty até Brasília, em uma campanha chamada “Bicicleta Brasil, Pedalar é um Direito”, que visava dar notoriedade ao fato que a bicicleta finalmente havia sido reconhecida como veículo pela lei de trânsito brasileira.

Atualmente, é idealizadora do portal Bike é Legal, no qual escreve sobre diferentes aspectos do ciclismo e foi convidada do workshop para jornalistas que o PROMOB-e promoveu no último dia 31, em São Paulo.

 

1) Você é formada em arquitetura e urbanismo, mas acabou dedicando grande parte da sua vida à mobilidade. Como isso aconteceu?

Começou quando eu parei de andar de carro. Ainda era estudante de arquitetura, e percebi que as pontes entre os rios de São Paulo não eram elos, mas obstáculos. Isso me fez pensar: ‘como a minha cidade não me permite andar nela mesma?’. Então comecei a prestar mais atenção a esse assunto. A mobilidade é muito importante, porque você sabe qual é a proposta de equidade social de um lugar, quando você põe o pé na rua.

 

2) Você também participou da fundação do Night Bikers Club, o primeiro clube de bike noturna do Brasil. Como isso aconteceu?

A coisa nasceu da minha paixão por pedalar. Eu ia para a faculdade de bicicleta e passava a noite pedalando, passando de bar em bar. Então eu frequentava a noite da cidade, gostava muito de passar pelo Centro Velho – isso eu falando dos anos 70. Quando começou os anos 80 eu dei uma resfriada, porque nasceu minha filha, e, infelizmente, quem tem filho não consegue pedalar muito com o filho na bicicleta. Quando foi 85, 86, eu voltei a pedalar muito na cidade como meio de transporte. Em 87, 88, eu comecei a promover mountain bike, as corridas de bicicleta, passeios de ciclismo e cicloturismo. Já nessa época, eu continuei a pedalar muito à noite na cidade. Meus amigos viram isso e começaram a pedalar comigo, daí nasceu então a ideia de criar um clube.

 

3) Qual a importância do Night Bikers Club?

É evidente que aquele foi um berço de você começar a colocar a bicicleta no imaginário de uma classe média-alta. Naquela época, no final dos anos 80, todo mundo ia de carro, pedalava e voltava de carro. Então começou uma cultura de usar a bicicleta realmente para se locomover. Agora o que incomoda é as pessoas imaginarem que eu tenha trazido isso de fora. Não! Foi criado em São Paulo, e teve uma importância nacional muito grande, inspirando grupos de bikes ao redor do país.

 

4) Você acredita que o uso de bicicletas provoca a humanização do transporte. O que é isso e por que isso acontece?

A gente tem que pensar na bicicleta como ferramenta de mudança social, porque ela provoca o resgate das pessoas, o resgate da escala humana, tirando o poder de autoridade que as pessoas têm dentro de carros.

 

5) E no caso das bicicletas elétricas?

A bike elétrica foi muito preconceituada no meio dos ciclistas. E eu até entendo o motivo das reservas, porque é legítimo você questionar todas as funções modernas que ela traz, mas a bicicleta elétrica pode salvar a vida de uma pessoa.

No caso do indivíduo que totalmente sedentário e não consegue imaginar a vida dele ativa, você, com infraestrutura urbana, joga uma bike elétrica para esse cara, e ele não vai querer ficar parado. No primeiro dia pedalando, ele já vai se sentir melhor. Então ele sai da carro-dependência e resgata a vivência da cidade. Por isso, a bike elétrica tem sido eficiente em tirar carros privados na rua – mais até que ônibus –, porque ele entrega, a baixo custo, velocidade e prazer.

 

Confira algumas matérias do portal Bike é Legal sobre mobilidade elétrica.

https://bikeelegal.com/em-sp-workshop-debate-o-futuro-das-bicicletas-eletricas-no-brasil/

https://bikeelegal.com/velo-city-2018-e-o-debate-da-inclusao/

Por: Victor Farias

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